sexta-feira, 26 de maio de 2006

São rosas, Senhores! [1]

Temos à porta o Mundial de Futebol, acompanhado de publicidade pseudo-patriótica, tudo num plástico sentido patriótico com cantos e hinos à mistura, com muita gente a endividar-se, ainda mais, para comprar o plasma igual ao do patrão ou do vizinho.
Na televisão, a toda a hora, há informação actualizada sobre a selecção, sobre os eleitos, os novos deuses. Sucedem-se conferências de imprensa repletas de chavões e de adereços publicitários.
Enquanto isso, querem fazer crer que por cá as coisas melhoram. Como em noutros governos, fala-se da procura de bilhetes, de agências de viagem a esgotar reservas – como acontece durante as pontes de feriado que quase esgotam o Algarve – agora para a Alemanha e mais tarde para o Brasil.
Por cá falta gasóleo aos carros das esquadras, faltam efectivos, até falta papel nas impressoras, mas vai um contingente da PSP e da GNR para Alemanha – como também vai outro para Timor – porque o terrorismo existe e nada garante que o Grupo Extremista da Autodeterminação da Ilha Berlenga não faça das suas, atirando ovos de gaivota.
É claro que só no primeiro trimestre mais de 180 mil cheques foram devolvidos pelo Banco de Portugal por falta de provisão, num total de mais de 400 Milhões de Euros. E desgraçado de quem tem de recorrer aos tribunais para tentar recuperar o crédito. Mas pouco interessa: estamos no Mundial, há plasmas à venda às prestações e linhas de crédito ao alcance de um telefonema.

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