sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Chega de hipocrisia

A propósito do “jovem” baleado pela GNR, é de apreciar o carrocel de teóricos da proporcionalidade do uso da força, do recurso às armas de fogo, em tom crítico e reprovador.
Neste país os agentes policiais, na grande maioria, têm de pagar do seu bolso o regular exercício de tiro, usando carreiras de tiro privadas, bem como o de procedimentos especiais como o de arrombamento de portas por tiro de fogo que recentemente foi ministrado mas pago pelos próprios agentes.
Junte-se o facto de termos uma comunicação social adepta do adágio: preso por ter cão, preso por não ter. Ou seja fazem alarido da insegurança, contam todas as histórias e mais algumas de populares descontentes com a falta de acção de força por banda das forças policiais, explorando tudo até ao tutano. Como, também, logo que podem, fazem folhetins de tragédia grega quando alguém é baleado pelas forças policiais, tratando de pôr em confronto, polícias e “jovens”, para depois, aos poucos, percebermos que se tratou, sim de algo entre criminosos e agentes de autoridade.
Não está em causa a averiguação do uso devido ou indevido da força e da sua fiscalização. Mas, sim, que há toda a vantagem em afastar a hipocrisia do assunto e encarar o caso sem preconceitos. Sem teóricos que falam do que, concretamente, não sabem, e sem exigências de excelência quando as condições que proporcionam são de desenrasque.
Até lá, continuaremos a ter polícias sem meios, sem formação intensiva e sem dinheiro – veja-se o caso da Polícia Judiciária -, e políticos bem pagos a pregar moralidades.
j.marioteixeira@sapo.pt

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