sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

No fim de contas

Olhando para trás, sou levado a concluir que 2004 é um ano de saldo negativo. O país perdeu tempo, aprofundando ainda o mais o fosso que nos separa da Europa. Continuamos a perpetuar a falta de rumo, como se as coisas se resolvessem por si mesmas. Já sabemos que não, apenas não sabemos ainda é como resolvê-las. Tudo o mais é tão só o que falta fazer que é tanto e o que se conseguiu fazer que é tão pouco. Se alguma dúvida houver acerca do que falo, basta passar em revista a blogoesfera. Isto, apesar da muita alegria que me deu o F.C. do Porto com a conquista da Taça dos Campeões Europeus e da Taça Intercontinental. Explosões tão efémeras de felicidade, num fundo escuro.
Ressalvo do balanço negativo, com maior atenção, a prova do que somos capazes de fazer com esforço, empenho, sacrifício, mesmo com muito pouco reconhecimento: as
medalhas conquistadas nos Jogos Paralímpicos de Atenas 2004. Este grande feito é um exemplo paradigmático do que falha no nosso país: a prevalência da vontade sobre o obstáculo.
De resto, bendita sejas ó
Cassini-Huygens, que nos estimulas a curiosidade sobre aquilo que há para além da Terra, porque esta força gravítica que nos prende aqui é, por vezes, insuportável.

j.marioteixeira@sapo.pt

As cicatrizes de Dione [II]


A Cassini-Huygens vai revelando mais segredos das marcas do passado naquela lua de Saturno.

Coisas dos sentidos [I]

Ouvir “Verdes Anos”, uma das faixas do CD “O melhor de Carlos Paredes” de 1998. Num fim de dia como outro qualquer, que se tornou, assim, diferente.
No livrete do CD, Viriato Teles escreve:
Um grande respeito pelos outros. Eis o que faltou às utopias, mas nunca deixou de estar presente na vida, na música e nos gestos de Paredes”.
Quem quiser saborear este fantástico sentimento de ser português, que continua a valer a pena cultivar, pois que ouça.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro XIV]



Ainda o abandono e os seus monumentos, na pedra que insiste em ser perene.

j.marioteixeira@sapo.pt

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

Vale a pena [XVIII]

Ler o artigo de Francisco Sarsfield Cabral no DN, intitulado "Sem Surpresa".
Abordando a questão da abertura do mercado europeu aos produtos têxteis chineses [matéria abordada aqui, aqui e aqui], conclui:
"Não é surpresa sabe-se desde há trinta anos que o comércio internacional têxtil seria liberalizado agora. Ninguém pode invocar falta de tempo para se preparar - ou seja, para abandonar os baixos salários como factor de competitividade, apostando noutros trunfos: design, marcas próprias, subida de qualidade e até deslocalizações da produção (como há dias preconizou a associação de vestuário e confecção). Uma receita ultra-sabida. Para quem não mudou, o destino é negro. Por sua própria culpa".

Os dogmas da militância

“[…] Recusando-se a mudar a liderança e enterrar este episódio infeliz, o partido pode ter comprometido o seu futuro. Aliás, esta situação é pouco sadia, até porque muita gente no PSD sabe que este comportamento é suicidário e há alguma má-fé na esperança que sejam as urnas a afastarem Santana Lopes da direcção do PSD. Mesmo sabendo que isso pode significar um longo período de governação socialista”.

[in Público]

Hoje, Pacheco Pereira escreve acerca dos cenários das próximas eleições, recuperando as suas críticas a Santana Lopes e Paulo Portas, sem resistir a uma referência saudosista a Cavaco Silva.
Lendo aquele artigo, do modo como analisa a actual situação do PSD e do perigo que este corre em ser afastado do poder por um largo período, percebe-se porque é que ao fim e ao cabo irá, como o próprio já o disse, votar PSD: o perigo da governação socialista.
Não importa que Santana Lopes seja o “caos” ou o “populismo”. O que importa, isso sim, é que não se permita que o PSD seja arredado do poder, ou sendo-o, que o seja por pouco tempo. Por causa da governação socialista, claro.
A lógica dominante é, claramente, a da militância. Onde a ideia “Primeiro o país, depois a Democracia e por fim o Partido” só vale para a contestação de uma liderança ou como exercício de uma qualquer Sebastianismo. Mesmo aqui, a lógica militante sempre dirá que o melhor para o país, é o Partido, e como tal vota-se no “caos”, no “populismo” ou na “incompetência” porque é o menos mau do mau. E o pior do mau, são os outros. Não importa quem.
Existe ainda uma outra vertente: ao denunciar a actual situação do Partido, ao mesmo tempo que classifica de má-fé aqueles que aguardam que sejam as urnas a afastar Santana Lopes da liderança, acaba por se manter como voz incómoda mas fiel. É este exercício desgastante que é forçado a fazer quem quer conciliar a independência de pensamento com a lógica da militância partidária.
Nos períodos pré-eleitorais é normal assistir-se aos actos de nobre militância, aos quais se sucedem, em caso de derrota, os ajustes de contas na contabilidade de deve e haver dos aparelhos partidários.
Este artigo de Pacheco Pereira, mais do que uma repetição de críticas a Santana Lopes ou Paulo Portas, mais do que uma denúncia das novas gerações de políticos profissionais, é um subtil “Presente!” à chamada do Partido.

Sistema eleitoral: os deputados e a [falta de] territorialidade [II]

Continuando o que escrevi aqui:
O facto do nosso sistema eleitoral não vincular o deputado ao círculo eleitoral pelo qual é eleito, permite distorções de representatividade. Permite, também, os “candidatos pára-quedistas”, sem qualquer ligação à terra pela qual são eleitos. Permite os discursos demagógicos repletos de lugares comuns e de saberes artificiais. Promove os discursos transformados em música para os ouvidos de quem se tenta cativar o voto. Permite, por exemplo, que um autarca se candidate pelas listas de um certo círculo, para depois de eleito dar a sua vez a quem se segue na lista. Neste momento fala-se do caso Menezes, mas isto é prática reiterada há muito.
Acresce que esta situação acarreta ainda uma outra consequência: as dos monopólios eleitorais. A mesma "figura" bate-se nas eleições legislativas e autárquicas, é a mesma personagem que monopoliza discursos e “tempos de antena”. Fazendo com que os actos eleitorais acabem por se perpetuarem à volta dos mesmos nomes, sem novidade ou surpresa. É tudo visto e repetido. Cansa. Enjoa.
Temos, assim, criadas as condições para que alguns indivíduos se prestem a candidatos profissionais e que façam da campanha eleitoral aquilo que o actual sistema a transformou: caça ao voto. Um pouco à luz do que se passa em outras coisas da vida, cria-se uma "liga de mercenários" dispostos para aquilo que chamam de "combate político", quase sempre em sinal de sacrifício militante. Mais tarde, inter pares, esse actos serão devidamente "lembrados".
As candidaturas eleitorais sem qualquer vinculação territorial, excepto num conceito abstracto de interesse nacional, permitem uma imunidade real e confortável quando certas promessas ficam por cumprir. Porque permitem que alguém, hoje candidato pelo Porto, amanhã o seja por Coimbra ou Faro, tanto prometendo apoio ao vinho, à ciência ou ao turismo. Porque em Roma, sê romano.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro XIII]



Restam fachadas que vão sobrevivendo, em decadente memória e perigoso risco.
São estátuas em honra do abandono, que nenhum escultor saberia fazer melhor.

j.marioteixeira@sapo.pt

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

"TRABALHO, EXIGÊNCIA E RIGOR" [II]

Dei notícia aqui do texto de Guilherme D`Oliveira Martins na sua Casa dos Comuns, bem como o comentário por mim deixado em que apresentava diversas interrogações.
Ora, acerca daquele mesmo comentário, Guilherme D`Oliveira Martins respondeu sob o gentil título ”UM COMENTÁRIO PERTINENTE”.
Mais importante do que apresentar qualquer tipo de “tréplica” [mentiria se dissesse que todas as minhas interrogações tiveram resposta], é dar conta da seguinte afirmação:
“[…] a sociedade democrática tem de encontrar novas e mais efectivas formas de partilha de responsabilidades e de proximidade efectiva dos cidadãos. Eis porque teremos sempre de ligar a ideia de justiça à criação de riqueza, de modo que a possamos distribuir com equidade”.
Privilegiando a concórdia, sou a partilhar daquele pensamento, acrescentando ainda algo mais: enquanto o debate político correr em torno da falta de pão, ninguém cuidará de plantar e de colher o milho. Isto, porque o grande vazio continua a montante, ou seja na apresentação de soluções para a criação de riqueza, pois só se pode partilhar o que há.


j.marioteixeira@sapo.pt

ADENDA: Ler em Briteiros acerca desta troca de ideias bem como o artigo "O Estado, motor do desenvolvimento" por José A. Martins.

Perspectivas [Outono III]



De regresso ao Rio Minho, junto a Vila Nova de Cerveira, com Espanha na outra margem.

j.marioteixeira@sapo.pt

Mudanças no blogue

Não, o blogue não vai mudar de casa novamente. Trata-se apenas de algumas inovações que há muito eram esperadas e que finalmente chegaram. A prenda que tardava, chegou.

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Ainda há aneis [III]

Em Saturno não há défices para esconder, como mostra a Cassini-Huygens.

A prenda que tarda

Estava prevista para o fim-de-semana, mas não aconteceu. Ainda não foi desta que este blogue assumiu uma configuração mais prática e funcional. Quem sabe se será possível ainda este ano. Vamos ver.

À lareira [II]

Pela luz e pelo calor da chama, pela contemplação do fogo em noites de frio e de chuva. A lareira estimula o sentido de protecção. Enquanto lá fora o vento e a chuva fustigam, à lareira estamos bem, seguros, salvos.

"TRABALHO, EXIGÊNCIA E RIGOR"

É o título do artigo de Guilherme D`Oliveira Martins, na Casa dos Comuns.
O meu comentário está .

Luís Braga da Cruz: sinais da crise

Atentando para o que escreveu Vital Moreira no Causa Nossa, sou a afirmar:
A partir do momento em que Luís Braga da Cruz é dado como forte possibilidade para encabeçar as listas do PS Porto, é fácil de concluir a crise que atravessa o PS Porto, que se irá agudizar ainda mais em Outubro. O que é mais do que natural no actual espectro político português. É que Luís Braga da Cruz tem tanto de socialista quanto Carvalhas tem de neo-liberal.
A verdade é que Luís Braga da Cruz faz parte daquela massa política incolor, versátil e modelar que se encaixa na perfeição em qualquer lista do PS ou do PSD. É aquele tipo de personagem que não choca se hoje é ministro num governo PS e depois num governo PSD.
Entender que Braga da Cruz é um trunfo do PS em sede de regionalização é desvirtuar o próprio conceito. É desconhecer, por exemplo, que durante a sua presidência da Comissão de Coordenação da Região Norte [CCRN], diversas obras foram financiadas por fundos europeus, “geridos” pela CCRN, sem que os próprios técnicos da área do urbanismo daquela Comissão dessem qualquer parecer prévio sobre a matéria.
Nos dias de hoje, em que tanto se apregoa a articulação da receita com a despesa, de eficácia e de racionalidade, apresentar Luís Braga da Cruz como trunfo é querer comparar o Ás com o duque.

j.marioteixeira@sapo.pt

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Perspectivas [Outono e as margens do Douro XII]

As casas parecem fazer fila para entrar na cidade, na busca de protecção da Muralha Fernandina.

Sistema eleitoral: os deputados e a [falta de] territorialidade

O próprio Estatuto do Deputado [Lei 7/93 de 1 de Março] é muito claro quando afirma no seu artigo 1º nº1:
Os Deputados representam todo o País, e não os círculos por que são eleitos”.
Daí que não seja de estranhar que a organização das listas partidárias na corrida eleitoral [leia-se eleições legislativas], importe cuidados não de representatividade mas antes de conquista de votos. As escolhas dos cabeças-de-lista para os respectivos círculos eleitorais baseiam-se na lógica do trunfo e do triunfo.
Todavia, a agitação das massas e os empolgamentos populares, nascem muitas vezes, de discursos vocacionados para um certo círculo eleitoral. Um cabeça-de-lista de Braga não irá centrar os seus discursos, por exemplo, nas pescas. Irá, sim, falar de indústria, de emprego, de apoio aos empresários, de melhores condições para os trabalhadores, etc.
O eleitorado do Alentejo não tem as mesmas carências do eleitorado do Minho. No entanto, ambas as regiões elegem deputados que irão representar o país no seu todo, e não esta ou aquela região. Mas será assim? Não parece que seja.
Fossem os nossos deputados verdadeiros representantes do país e não teríamos as assimetrias evidentes que existem entre Alentejo e Minho, Trás-os-Montes e Beira Litoral. Fosse assim, e não se falaria de interioridade no nosso país.
A verdade é que cada círculo eleitoral é levado a correr atrás de uns tantos cabeças-de-lista, atrás de promessas de desenvolvimento e de progresso, para no fim nenhuma responsabilidade poder ser assacada por quem os elegeu por aquele círculo eleitoral específico. O deputado eleito representa o país e não o círculo que o elegeu, logo não impende sobre si qualquer dever de prossecução de interesses do círculo eleitoral pelo qual foi eleito.
Num país de níveis de desenvolvimento homogéneos não haveria fundamento para se colocar em dúvida o sistema vigente. Mas há fundamento, por que há diferentes níveis de desenvolvimento no nosso país. Porque sofremos de interioridade ainda que seja pequena a distância entre a extrema interior e o litoral. Porque das duas, uma: ou o sistema eleitoral está errado ou a sua essência está adulterada.
De uma ou de outra forma, algo está mal e conviria ser debatido. A começar pelo sistema eleitoral e acabar no papel dos partidos políticos em tão séria matéria.


j.marioteixeira@sapo.pt

Tsunami


Sri Lanka's National Meteorological Centre said on Monday it had detected tremors near the Indonesian island of Sumatra and warned more small tsunamis were on their way”.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

À lareira



Agora é a televisão, e antes havia sido o rádio. O fogo já não tem o mesmo lugar na nossa casa, na nossa vida.
É agora que mais prezo o fogo, a lareira. Ressuscita a nossa génese, a nossa origem. A nossa e a das coisas.
É à lareira que se cruzam as conversas e revelam-se as prendas. Junto do calor e da ondulação das chamas.
É à lareira que o Natal faz [mais] sentido.

j.marioteixeira@sapo.pt

A Oriente tudo de novo [IV]

Assistindo ao corrupio das compras de Natal, entre grandes superfícies e o comércio tradicional, é fácil de ver que a maioria das opções de compras dos portugueses assenta naquela etiqueta que anuncia o preço, acompanhada pelo respectivo código de barras. Comparando este e aquele produto. O primeiro olhar, ainda que velado, é para os preços anunciados nas bordas das prateleiras, servindo como primeiro filtro à escolha, depois, sim, olha-se para o produto.
Nas secções de brinquedos, carros comandados e bonecas feitos no oriente não dão hipótese aos brinquedos europeus. Até mesmo porque pelo preço de um ou dois brinquedos europeus compra-se, do oriente, tudo para filhos e sobrinhos. Tal como nos electrodomésticos, os leitores de DVD/CD/CDR/MP3 a 50,00 Euros pulam dos escaparates para as malas dos carros, envoltos em papel da quadra com o nome da loja.
Nestes momentos, a teoria formatada da aposta na qualidade para vencer os desafios do futuro, ganha contornos de ridículo.

j.marioteixeira@sapo.pt

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Compasso

Enquanto lá por fora os governos governam, por cá brinca-se às conferências de imprensa, às soluções “mais benéficas para o País” no “combate” ao défice.
Isto é do pior que temos, do pior do que alguma vez tivemos. Mesmo assim há claramente um movimento em curso vocacionado para a tolerância, buscando no passado as razões que faltam hoje.
Portugal segue em compasso de espera.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro XI]



Um interregno na pedra e nas casas, num regresso à melancolia, entre a Ponte de S. João e a Ponte do Freixo.

j.marioteixeira@sapo.pt

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

A Oriente tudo de novo [III]

As relações comerciais entre o Reino Unido e a China, têm registado um significativo crescimento, sendo que a China exporta mais do que importa. Acontece que o Reino Unido ganha vantagem na área da maquinaria, tecnologia de informação e comunicação, equipamentos energéticos e serviços financeiros.
Por outro lado, o Reino Unido continua a ser o Estado-membro que mais investe na China, estabelecendo projectos de investimento conjuntos. Ou seja o Reino Unido já lá está, e não faz parte da Zona Euro.
Por cá, estamos à espera que eles cheguem para se ver o que acontecerá. Mas uma coisa é certa: não temos tecnologia de ponta para usar como moeda de troca. Nem serviços financeiros tão fortes que permitam assegurar quotas de mercado. Nem investigação sustentada que permita rivalizar na área da ciência e da inovação.
Para se ficar com uma ideia mais clara do que está a passar lá fora enquanto andamos a brincar aos combates ao défice cá dentro, é de ler no China Daily o que acontece hoje, para que não haja surpresas para o que vai acontecer amanhã.

j.marioteixeira@sapo.pt

As cicatrizes de Dione



As crateras de Dione são bem visíveis. Cicatrizes que marcam para o resto da vida.


j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro X]



As casas excluídas do protectorado da muralha, ora juntas ora dispersas, ora com vida ora abandonadas.

j.marioteixera@sapo.pt

Conferências de imprensa “fashion”

Se a moda continua, vamos ter os telejornais dominados pelas figuras do governo em discurso directo. Fazer uma conferência de imprensa na terça-feira para anunciar que haverá uma outra na quinta-feira dá bem a ideia do que este governo é, ou melhor: não é.
Pelo meio, algo muito curioso: afinal de contas Manuela Ferreira Leite praticou más políticas. A coisa vai assim: ora bota acima, ora bota abaixo, conforme dá jeito.

j.marioteixeira@sapo.pt

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

A ponte petrolífera Venezuela - China

"Venezuela plans to increase production and satisfy the needs of these countries," Rodriguez said as he announced President Hugo Chavez's agenda for his pending trip to China.
Chavez leaves Tuesday for Beijing, where officials have said he will be on an official visit through extending until Monday December 27.
Mr. Rodriguez explained that "it is of strategic interest to Venezuela to diversify her markets without adversely affecting any of the customers who are already receiving energy goods and services
."

Perspectivas [Outono e as margens do Douro IX]

No rio e nas margens, tudo passa a seu ritmo.

j.marioteixeira@sapo.pt

A Teoria do Bom Aluno e a Lei de Gresham

Não é preciso fazer um grande esforço de memória para recordar a teoria defendida por Cavaco Silva, então Primeiro-ministro, de que Portugal deveria ser um bom aluno na Europa, aprendendo com quem sabe e seguir os ensinamentos que ela, civilizada, organizada, superior, tinha para nos dar.
Mais recentemente, o seu artigo publicado no Expresso acerca da Lei de Gresham que se consubstancia na ideia de que a má moeda expulsa a boa moeda de circulação, servia de mote à metáfora política, para no fim concluir que é tempo dos bons políticos expulsarem os maus políticos. Num artigo em que Cavaco Silva fez aquilo que é tão só normal e corriqueiro no nosso país: pôr em cheque a honestidade ou a competência de todo um conjunto de pessoas, sem qualquer determinação ou assunção de responsabilidade. A atitude vale tanto quanto os dirigentes de clubes de futebol que falam de sistemas e de esquemas maquiavélicos, e nunca concretizam nem prova coisa nenhuma. Como Pinheiro de Azevedo disse um dia: “É só fumaça!”. Certo sendo que o fumo além de intoxicar, turva a vista.
Ora, vale a pena lembrar dois dos políticos que na era Cavaco Silva ascenderam ao estrelato e que deram provas do tipo de moeda que são. Dois casos inequívocos são Durão Barroso e Santana Lopes, políticos de inegável ascensão na era cavaquista, sendo que um fugiu a um compromisso para como povo português e o outro limitou-se a ser aquilo que sempre foi.
Recuperando a Teoria do Bom Aluno, também aí estamos mal: veja-se o atraso na aprovação da equipa da Comissão de Durão Barroso por sua exclusiva culpa e o recente chumbo ao projecto da EDP e do gás [lançado pelo próprio Durão Barroso], ao que acresce agora também o chumbo da proposta de “lease back” de Bagão Félix em sede de receita extraordinária para mascarar o défice.
Somos um país com valores humanos de referência no âmbito da engenharia, da arquitectura, da pintura, da literatura, do atletismo, do futebol, da medicina, etc.
Só mesmo na política é que temos maus alunos e má moeda.

j.marioteixeira@sapo.pt

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

Uns e outros

O primeiro-ministro Pedro Santana Lopes condecora, hoje, o FC Porto pela conquista da Taça Intercontinental de futebol, após a vitória no Japão frente aos colombianos do Once Caldas, no passado dia 12”.
[…]
Na cerimónia, além dos futebolistas e dirigentes do FC Porto, estarão presentes Rui Gomes da Silva, ministro-adjunto que tutela o Desporto, o secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro, e o secretário de Estado adjunto do ministro da Segurança Social, Marco António Costa”.

[in O Comércio do Porto]

Enquanto uns oferecem DVD´s ao governo, outros recebem condecorações. É a vida…

j.marioteixeira@sapo.pt

Macau, cinco anos depois: "Um país, dois sistemas"

President Hu said that the past five years have seen successful implementation of the policy of "one country, two systems" in Macao”.
Para ler aqui.

Rui Rio e a soberba da genialidade [II]

Continuando o que escrevi aqui .
Rui Rio e Pinto da Costa não se entendem. É um facto dado como assente. Sendo assim, porque é que Rui Rio, volta meia volta, ao invés de privilegiar o silêncio e a elevação, prefere acicatar?
Está no direito dele, pode acicatar quem lhe apetece. O que não tem é o direito de fazer o discurso do combate aos “interesses instalados na cidade” e do separatismo entre o futebol e a política, para depois “mandar bocas” para as bandas do Dragão.
Para qualquer portuense, a imagem que começa patentear é a de um senhor muito fino e inteligente que quer vir ensinar como é que nos devemos comportar, de quem devemos gostar e com quem nos devemos dar bem. Um discurso de paternalismo estúpido e arrogante, ainda para mais de quem chegou, viu e venceu sem saber como, mas que está claramente convencido que é o mais inteligente e honesto de todos.
Aliás, é tão grande a sua inteligência e a sua visão, que Rui Rio ainda não percebeu duas coisas básicas que se estão a passar com a cidade do Porto: deixou de ser a referência que era na região norte e perdeu qualquer capacidade de influência em Lisboa.
Como se não bastasse, Rui Rio tem agora recorrido à mentira demagógica, chegando a afirmar que os socialistas fugiram e deixaram a cidade cheia de obras por concluir. É mentira e Rui Rio sabe que é mentira, sabe que mente. Mas mente falando com a convicção que está a dizer uma verdade. Os socialistas não fugiram, antes perderam as eleições, perderam a câmara. Rui Rio sabe isso por razões evidentes. E também sabe que se quer falar de políticos que fogem, poderia lembrar-se do seu amigo Durão Barroso. Esse sim, fugiu.
Não bastou a gestão de Nuno Cardoso, cujo comportamento em relação a interesses imobiliários à volta do Parque da Cidade revelou quem realmente é, para agora ter de se aguentar um Rui Rio demagógico e populista, com ares arrogantes de iluminismo?

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro VIII]

Há prédios assim, também nas margens do Douro.

Sinais dos tempos de hoje [III]



O idealismo do fim da Guerra Fria vai, aos poucos, decaindo. Sinal que a queda de um muro vale como simbolismo de referência e pouco mais. Os velhos métodos continuam, operantes, frios, calculistas e oportunistas. São os meios, feitos à imagem e semelhança dos fins. A vantagem é que agora a realidade é mais pardacenta, menos definida, permitindo a camuflagem que outrora não existia.
A tentativa de assassinato, por envenenamento, de Yushenko é um claro sinal que se acumula a outros. O problema é que o volume de informação que nos é dado a consumir, com o inebriante efeito de choque das imagens, seduz a nossa memória a reter o mais recente, dificultando a articulação dos factos.
Em 2000, aquando do afundamento do submarino Kursk, vimos imagens de uma mulher de um dos tripulantes a reclamar o esclarecimento da verdade, frente às câmaras de televisão, num qualquer auditório em que se encontravam, talvez, centenas de familiares da tripulação. A dada altura do protesto, aquela mulher que falava energicamente, cai desfalecida. Alguns dias depois, pela análise das imagens recolhidas, fica demonstrado que alguém lhe terá injectado uma qualquer substância que provocou aquele feito, de modo despercebido a olho nu.
As técnicas permanecem as mesmas, sempre a soldo e a interesse de alguém. Agora já não se chama KGB, mas a escola é a mesma. Apenas uma desvantagem: dantes havia um nome para chamar, agora não.

j.marioteixeira@sapo.pt

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Rui Rio e a soberba da genialidade

"Defesa através de Lisboa"
"Não discordando de António Marques, Rui Rio lembrou, neste âmbito, a Área Metropolitana do Porto, mas frisou que “sem se atribuir orçamento e competências o papel de articulação regional não é tarefa fácil”. O autarca completou a ideia indicando que, não havendo regionalização, a defesa do Norte é feita em Lisboa”. “Membros do Governo do Porto cidade devem ser para aí uns 10, o que é fundamental e nunca tivemos o volume de investimentos públicos que temos hoje”, adiantou o autarca, questionando: “Ser a segunda figura do maior partido não dá também influência para lutar por esses interesses?
[...]
"Somos fraquíssimos em termos de afirmação política. O Porto é excessivamente bairrista no mau sentido do termo. Bairrismo na política é bacoco e, por isso, o Porto não pode conquistar a sua credibilidade no País.
[Rui Rio]
Se houvesse a hipótese da capital mudar para o Porto, acho que nenhuma cidade apoiaria ( ) Temos de ganhar o respeito e o apreço dos outros. Temos de ser o contraponto quando Lisboa centraliza.
[idem]

"O Porto não conquistou a sua credibilidade no País, nem o pode fazer com o bairrismo típico, dizendo que o melhor é o futebol. Não é uma boa política". A justificação para a falta de protagonismo da cidade foi ontem apresentada pelo presidente da Câmara do Porto, no ciclo de conferências "Olhares Cruzados sobre o Porto", uma organização conjunta do jornal Público e da Universidade Católica. A juntar a esta, Rui Rio apresentou outra: "O Porto só diz mal de si próprio".
António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho (AIM) acusou os políticos e as élites de não terem acompanhado a mudança estratégica da evolução económica e da importância de trabalhar "em rede". Admitindo gostar do Porto, mas ainda mais do Norte, António Marques fez um diagnóstico do problema: "O Porto foi, é e será sempre o centro de uma região, mas houve uma evolução das outras cidades a desfavor do Porto e a elite não percebeu essa evolução".
O gestor deixou ainda um conselho ao autarca: "Olhe mais para o Norte e não se preocupe tanto com o Sul. É importante olhar para Braga, Guimarães, Barcelos, Viana e até para a Galiza. O Porto tinha muito a ganhar se esta clientela o aplaudisse". Ao que acrescentou: "A dimensão do Porto não se vê por ter Gaia ou não ter. Está mais na cabeça das pessoas do que no território".
O gestor defendeu uma maior abertura do Porto às cidades vizinhas e, dentro da cidade, entre as empresas e as Universidades. "O mundo não começa nem acaba no Porto. Tem que ter um olhar cruzado e integrado com outras cidades", realçou".

[in Comércio do Porto]

A imprensa tem dado maior importância à nova picardia entre Rui Rio e Pinto da Costa, em detrimento ao que verdadeiramente interessa à cidade do Porto. É compreensível: as emoções vendem mais do que os raciocínios.
Algures no discurso do Presidente da Câmara do Porto, começa a soar um tom demagógico de quem já pensa muito em Fevereiro [além de Outubro].
Fosse Rui Rio alguém com melhor capacidade para ouvir, e já teria aprendido alguma coisa. A continuar assim, ainda vai demorar mais algum tempo…

j.marioteixeira@sapo.pt

Veneno: o velho método romano

Indonesian police confirm arsenic in vice president's soup

JAKARTA: A portion of soup prepared for Indonesia's vice president contained a tiny dose of arsenic, but the source of the poison could not be established, police said Friday.
Laboratory tests showed 0.09 milligrams of arsenic was found in noodle soup prepared for Yusuf Kalla at a hotel in Bali on Wednesday, the resort island's police spokesman A.S. Reniban told AFP”.

[in Channel New Asia]

Os casos de envenenamento de personalidades políticas, têm vindo a chocar a opinião pública. Recentemente foi Yushenko, na Ucrânia, com dioxina. Agora tratou-se do Vice-Presidente Indonésio Yusuf Kalla. Se a moda pega…

j.marioteixeira@sapo.pt

Os cinco anos de transição de Macau pelos olhos da China

Our correspondent finds out how the once sleepy former Portuguese enclave is waking up to its new role as a gaming centre for the region.
Macau has been enjoying double-digit growth for the past three years, something that's expected to continue in the foreseeable future.
Businessman Anthony Mok, who runs a chain of supermarkets, testifies to a better business environment.
Mr Mok, GM, Benvindo Supermarket, said: "Before the hand-over (to Chinese rule), business wasn't good. Several years later, it's now better. There're fewer hooligans and it's easier to earn money now that they've opened many new casinos
".

[in Channel New Asia]

As comemorações terão lugar na próxima segunda-feira e contarão com a presença do Presidente da República Popular da China, Hu Jintao.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro VII]

A Viking patrulha as margens em cada viagem da sua jornada. Assim é a vida desta draga, cuidando do Douro.

A Oriente tudo de novo [II]

Num Concelho como Vila Nova de Famalicão, onde a indústria têxtil suporta grande parte das economias domésticas, não haverá família que não tem um parente ligado à indústria têxtil [empresário, trabalhador, agente, etc.]. Para quem vive neste concelho o facto de ter sido firmado o acordo que prevê o fim das barreiras aduaneiras aos produtos oriundos da Organização Mundial do Comércio, concretiza e exemplifica em termos muito simples o que é a globalização.
Com a integração de Portugal na então CEE, Portugal recebeu importantes contributos financeiros para reestruturar a sua economia. Muita coisa foi feita, sem dúvida, mas o piro é que muito do essencial ficou por fazer. A indústria têxtil foi e é um exemplo do essencial que ficou por fazer. E o essencial que ficou por fazer passou, também, pela atitude conivente do poder político face aos desvios de fundos comunitários para fins alheios. A subida em flecha da venda, por exemplo, de Ferraris em Portugal deu-se ao mesmo tempo que fundos comunitários eram distribuídos por regiões industriais ligadas ao sector têxtil e do calçado. Nestas coisas não há coincidências: muito dinheiro dos fundos comunitários foi desviado sem que alguém respondesse por isso. Mais: foi o próprio Primeiro-ministro de então, Cavaco Silva, que vociferou no Parlamento que não admitia a ideia de que Portugal era uma país de corruptos. E não era. Mas que os havia, lá isso havia.
Quem vive num Concelho como Vila Nova de Famalicão, sabe que durante os governos de António Guterres, muitas empresas têxteis causaram distorções no mercado com a atitude conivente do Estado: não é possível a uma empresa cumpridora com as suas obrigações fiscais, concorrer com outras que se furtam aos seus compromissos. O laxismo da máquina fiscal nos Governos de António Guterres, sustentou empresas sem viabilidade e permitiu que outras, cumpridoras, ficassem dependentes dos financiamentos da banca por via de contas caucionadas e de avais pessoais dos sócios gerentes, numa contraditória e desastrosa tentativa de combate ao desemprego.
Para quem vive num Concelho como Vila Nova de Famalicão, sabe que a atitude irresponsável de Durão Barroso em apregoar aos quatro ventos que Portugal estava de tanga, fez com que o natural pessimismo português aliado a alguma falta de escrúpulos de alguns, foi o suficiente para provocar a descapitalização de empresas e o encerramento de outras. Pelo meio, ficaram facturas por pagar, cheques sem provisão e letras sem amortização. Um ano depois do discurso da desgraça, do discurso da tanga, no Concelho da Trofa, Durão Barroso entusiasmava as hostes do seu partido a falar em optimismo e esperança, criticando o pessimismo. Veio o célebre “perdão fiscal” e os compromissos de apoio às PME´s e à modernização industrial. Ao fim de 2 anos de governação, Durão Barroso foge para Bruxelas e entrega-nos a Santana Lopes.
Quem vive num Concelho como Vila Nova de Famalicão, ou em qualquer outro Concelho de Portugal, sabe muita coisa, só não sabe como enfrentar estes novos ventos do Oriente.

j.marioteixeira@sapo.pt

As cicatrizes de Tethys

As feridas desta lua de Saturno deixaram cicatrizes profundas, como revela mais esta foto-espia da Cassini-Huygens.
A vida é feita, também, de regras universais.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

"No way to die" - por Suzanne Goldenberg

"There were perhaps a dozen men by the grave, and they did their work in silence and in secrecy, hidden from possible onlookers by four strategically parked fire tenders. They worked swiftly, breaking up the large flat stones that had been placed there only hours before, and lifting out a heavy, locked coffin: Yasser Arafat's coffin".

[in Guardian]

Há muito mais por revelar acerca da morte de Yasser Arafat.

As novas cidades ou reflexos do populismo vigente

A população de Valbom, Gondomar, está descontente com a oferta de transportes públicos e reivindica que a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) passe a servir a freguesia. As queixas quanto ao actual serviço, prestado pela Empresa de Transportes Gondomarense são diversas. Os populares da cidade que ganhou esse estatuto na passada semana dizem que a frequência de autocarros com destino ao Porto é escassa, consideram as tarifas elevadas e afirmam que nem sempre os horários são cumpridos.
"É uma pouca vergonha, uma miséria. Não há transportes", declara Isabel Maria. "Um gajo para ir ao Porto tem que esperar muito e, depois, vêm quatro autocarros seguidos", protesta Carlos Costa”.

[in Comércio do Porto]

Conheço Valbom, como conheço o Concelho de Gondomar. Fiquei admirado que tenha passado a cidade. Quando contei tal novidade, quem me ouviu riu-se e disse que eu devia estar confundido, é impossível.
Não é, não…

j.marioteixeira@sapo.pt

A Turquia às portas da Europa

Custa-me um pouco assimilar a abertura de negociações para a entrada da Turquia na união Europeia. Trata-se de um perigo real em matéria não só de segurança como também de conivência com as promiscuidades da esfera religiosa na esfera política e demais atropelos à lógica de um Estado de Direito Democrático. Isto é real, sem embargo de avanços em sede de direitos humanos na Turquia. Mas parece-me sinceramente que é pouco, mesmo até a avaliar pelas reacções das autoridades políticas turcas quanto a abordar esta matéria: mantém-se a mesma arrogância natural das mentes fundamentalistas. É um claro sinal, e não parece que seja bom.
A propósito, recordo o que Vasco Graça Moura escreveu no DN em 20.10.2004 [link não disponível], a propósito da entrada da Turquia, e realço o seguinte:

A nova grande polémica europeia já começou a propósito da candidatura da Turquia à entrada na União. A análise do cumprimento dos critérios de Copenhaga, nomeadamente o da consagração do Estado de direito (com todas as suas implicações, da separação entre a esfera civil e a esfera religiosa ao respeito dos direitos humanos e das minorias), e o da existência e funcionamento de uma economia de mercado viável, dificilmente vai iludir uma outra questão mais profunda: a da compatibilidade civilizacional e cultural.
A recomendação que a Comissão Europeia acaba de apresentar ao Conselho e ao Parlamento sobre a acessão da Turquia à União examina todos os aspectos que se queira imaginar menos este.
Sobre isso a Comissão é notoriamente vaga: limita-se a dizer que é preciso reforçar o diálogo entre a União Europeia e a Turquia e propõe a realização de uns fora em que participe a sociedade civil
”.
[…]
É certo que as negociações de acessão só podem ter lugar no quadro da Conferência Intergovernamental e com aplicação da regra da unanimidade, mas, se ela se der, a Europa passa inevitavelmente a ser uma realidade diferente, já sem coincidência com o seu perímetro geográfico, com uma alteração significativa das suas características civilizacionais e culturais, e apresentando novidades geostratégicas suplementares, desde um novo fôlego para a sua já antiga participação na NATO até à luta contra o terrorismo”.

Depois de um alargamento para 25, em pleno debate acerca do Tratado Constitucional Europeu nos diversos Estados-membros, e ainda com uma patente ausência de um sistema eficaz de controlo e combate integral ao terrorismo, será a União Europeia capaz de garantir a lucidez e a ponderação necessárias a uma integração harmoniosa da Turquia?

Vasco da Graça Moura terminava aquele seu artigo da seguinte forma:

O caminho oficial traçado por Bruxelas parece decididamente a favor, embora ressalve o resultado das negociações finais. Se se concretizar, só o tempo dirá se não foi uma imprudência muito cara”.

Para mim, as imprudências presumem-se sempre caras e, dada a matéria em causa, só poderão ser muito.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [brasas e cinzas]

O calor e a luz das brasas, a leveza das cinzas, o crepitar moribundo do fogo, em noites frias.
Custa-me imaginar a viver numa casa sem lareira. Se tivesse de ser, pois seria. Mas custa-me sequer imaginar.

A “co-ligação” [III]

Fazer um acordo pré-eleitoral para vigorar após as eleições, dá azo a uma dúvida natural: como serão geridas as palavras de ordem e os discursos?
A existência de um acordo pré-eleitoral de vigência pós-eleitoral, é, também, fruto de uma diferença profunda de eleitorados entre o PSD e o CDS-PP. Eleitorados diferentes importam palavras e abordagens diferentes. É impossível que tal não aconteça. É impossível que questões como o aborto ou o Tratado Constitucional Europeu não sirvam para esconder as profundas diferenças que dividem o que hoje parece unido.
A necessidade de PSD e CDS-PP motivarem o seu eleitorado trará ao de cima as diferenças entres os dois partidos de modo mais fragilizante do que nas últimas eleições legislativas: antes ninguém sequer esperava um governo PSD/CDS-PP, pelo que as diferenças entre os dois não foram esmiuçadas. Ao contrário de agora que certamente o serão.
Acresce que nas últimas eleições legislativas, ficou a pairar a ideia de que muita gente não teria votado no PSD se soubesse que Durão Barroso iria fazer governo com o CDS-PP. Uma ideia que veio ao de cima em momentos de patente desconforto entre os dois partidos, como foi no caso do aborto e de posteriores iniciativas parlamentares sobre essa matéria.
Neste acordo firmado entre PSD/CDS-PP, o único que se arrisca a perder alguma coisa é o PSD, pois Paulo Portas soube sempre cuidar do seu eleitorado e, assim, do seu partido.

j.marioteixeira@sapo.pt

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Blogoesfera e imprensa: filhos e bastardos

Ontem o Comércio do Porto noticiava a venda de 65 imóveis por banda do Estado. A notícia foi divulgada pela blogoesfera, onde vai havendo a educação e o respeito em identificar os meios de comunicação de origem. Um desses exemplos de divulgação foi este meu ”post”.
Acontece que hoje, no Público, a notícia surge, também, na edição impressa daquele jornal e nem uma referência sequer ao próprio Comércio do Porto.
Não tenho qualquer pretensão que este blogue seja alvo das atenções da imprensa, mas é estranho, muito estranho, que só agora a notícia surja no Público, e, pior, como se de uma novidade se tratasse.
Por mim, estou convicto que a blogoesfera poupa muito trabalho a uma certa espécie de gente.

j.marioteixeira@sapo.pt

Retratos do Providencialismo em Portugal [II]

[…]
Em 15 de Março de 1928 era eleito Presidente da República o GENERAL ÓSCAR CARMONA, figura insinuante de patriota integérrimo. E em 5 de Junho de 1932, depois de se impor como a única pessoa capaz de criar uma nova mentalidade que garanta a continuidade da doutrina expressa pela síntese felicíssima – TUDO PELA NAÇÃO! NADA CONTRA A NAÇÃO! – Salazar é chamado, pelo Chefe de Estado, a ocupar o alto cargo de PRESIDENTE DO CONSELHO”.
[…]
E finalmente, para que o esfôrço de Salazar e dos seus prestantes colaboradores se não perca, organizou-se a MOCIDADE PORTUGUESA, que um forte espiritualismo anima e conduz para poder, chegada a sua vez, receber e transmitir a herança de PORTUGAL Eterno”.

[in “Elementos de História de Portugal”, de Romeu Pimenta, 1940, Domingos Barreira Editor, preço 3$50]

j.marioteixeira@sapo.pt

Descodificado o genoma do arroz


A notícia foi avançada pelo Japan Times.

Uma equipa de cientistas, liderada por Takuji Sasaki do Intituto Nacional de Ciência Agrobiológica do Japão, descodificou o genoma do arroz.
Mais um avanço da ciência que revela a necessidade de se debater não só os alimentos geneticamente manipulados como, também, as políticas de combate à fome.

j.marioteixeira@sapo.pt

Retratos de Titã [V]



Pela primeira vez,as trevas de Titã, a Oeste de Xanadu, onde cintilam materiais brilhantes.
Mais uma revelação da Cassini-Huygens.

j.marioteixeira@sapo.pt



Perspectivas [Outono e as margens do Douro VI]



O repouso dos barcos, num voltar de costas ao Douro.

j.marioteixeira@sapo.pt

A “co-ligação” [II]

De certo modo já se adivinhava, mas agora não há dúvidas: a união de forças do PSD e do CDS-PP faz-se por “justa posição” e não por “aglutinação”. Daí que seja uma “co-ligação” e não uma “coligação”.
Esta “justa posição” PSD/CDS-PP dá-se por imposição de Paulo Portas que conhece há muitos anos quem é e como é Santana Lopes, e não quer ficar refém das volatilidades do líder social-democrata.
Paulo Portas soube governar para o seu eleitorado e estará mais à vontade para passar a sua mensagem sem estar limitado à mensagem do PSD. Sabe, também, que esta é a melhor forma de obrigar o PSD a depender do CDS.
Goste-se ou não, mas a verdade é que Paulo Portas é o mais hábil político da sua geração. É pena é que o país nada ganhe com isso…

j.marioteixeira@sapo.pt

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

A “co-ligação”

No pretérito 6 de Dezembro, a propósito da divulgação das novas conclusões no “Caso Camarate”, escrevi aqui:

A exumação das figuras emblemáticas de Sá Carneiro e de Amaro da Costa servem de mote à recriação do espírito AD. E dão um passo claro na tentativa de consolidação do acordo de coligação entre PSD e PP. Haja ou não entendimento, ambos ganham com isso. Está visto.
Sá Carneiro e Amaro da Costa continuam a ser um importante capital político para os seus partidos, e numa altura de tudo ou nada, o seu valor tem de ser aproveitado.
Tudo obedece a uma razão lógica, a um interesse concreto. E tudo cheira a manipulação grotesca”.

Pois bem, está anunciada para hoje às 20.30 uma comunicação ao país, de Santana Lopes e Paulo Portas.
Aguardemos.

j.marioteixeira@sapo.pt

Vende-se!

A sede do Instituto do Vinho do Porto (actual Instituto dos Vinhos do Douro e Porto), na Rua de Ferreira Borges, integra a lista de imóveis prontos a alienar pelo Estado, de acordo com uma resolução do Conselho de Ministros, publicada em Diário da República, na passada sexta-feira (estava ainda o Governo em plenitude de funções). A lista de alienações visa tapar o défice de 2004.
Outro edifício emblemático da cidade do Porto, embora por razões diferentes, consta também da lista, que engloba 65 imóveis. Assim, o edifício que alberga os serviços centrais do Centro Regional da Segurança Social (actual Instituto da Solidariedade Social), na Rua António Patrício, e onde está situado o recém-aberto gabinete desconcentrado do secretário de Estado adjunto do ministro da Segurança Social figura também entre os imóveis prontos a alienar”.

[in O Comércio do Porto]

O que conta é mascarar o défice…

j.marioteixeira@sapo.pt

Alzheimer político

26.10.2004:

"O presidente indigitado da Comissão Europeia, Durão Barroso, reafirmou hoje em Estrasburgo a sua recusa em rever a composição do seu executivo".
[…]
O ex-primeiro-ministro português está, no entanto, "absolutamente convencido" de que os 24 comissários irão obter uma "maioria clara" no PE”.

[in Público]

"O presidente indigitado da Comissão Europeia, Durão Barroso, jogou hoje os seus últimos trunfos no Parlamento Europeu para tentar assegurar a aprovação da sua equipa de comissários. Hoje de manhã, vários eurodeputados exigiram mais uma vez uma remodelação dos nomes escolhidos por Durão, mas o ex-primeiro-ministro português recusa fazer qualquer troca".

"Esta Comissão é digna da vossa confiança e merece o vosso apoio. Faço um apelo ao vosso sentido de responsabilidade", disse Durão Barroso".

[in Público]

27.10.2004:

"O presidente indigitado da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso está a discursar perante o Parlamento Europeu e já admitiu que vai retirar a sua equipa de comissários e apresentar uma nova, depois da polémica com o italiano Rocco Buttiglione".

[in TSF ]

14.12.2004:

"O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, criticou hoje os anteriores executivos comunitários por terem actuado sem levar em conta uma "verdadeira parceria" com o Parlamento e o Conselho Europeu."As comissões precedentes apresentaram as suas visões que nem sempre representavam a expressão de uma verdadeira parceira" com as duas instituições, afirmou, no hemiciclo de Estrasburgo, durante a apresentação das prioridades para os cinco anos de legislatura".

[in Público]

É doença. Só pode.

j.marioteixeira@sapo.pt

Retratos de Titã [IV]


Mais um, numa nova aproximação da Cassini-Huygens, que vai criando laços.

A Oriente tudo de novo [I]

A partir de Janeiro de 2005, os têxteis oriundos de países pertencentes à Organização Mundial do Comércio, deixarão de ter quaisquer barreiras aduaneiras. Vai cair por terra a última defesa que os artigos têxteis possuíam face aos produzidos, por exemplo, nos mercados chinês e indiano. Caso as exportações do Oriente para a Europa cresçam de modo súbito, haverá uma cláusula de salvaguarda que Bruxelas poderá accionar em situação de emergência na defesa da indústria têxtil europeia. Todavia, essa cláusula tem carácter geral, pelo que o seu accionamento depende de uma possível crise generalizada e não localizada num só país. Ora, atendendo às diferenças existentes entre as diversas indústria têxteis europeias, torna desde logo o accionamento da cláusula de salvaguarda algo problemático e moroso.
Esta abertura ao Oriente representa uma profunda distorção das regras da concorrência. Tanto mais que esta abertura se dá num quadro de aparente tentativa de auto-regulação do mercado, ou seja com a abertura a Oriente será o mercado, pela regra da oferta e da procura, a estabelecer os equilíbrios. O que é falso.
É falso, porque a regulação do mercado não pode partir de uma concorrência desleal. Na verdade, a concorrência entre os artigos têxteis produzidos na Europa e os produzidos no Oriente sofrem uma clara e mais do que denunciada distorção: os artigos asiáticos, na sua esmagadora maioria, não suportam custos sociais. Ao contrário do que se passa na Europa, na Ásia as obrigações sociais das entidades patronais são exíguas quando não inexistentes, ao contrário da Europa que ainda vai primando pela consagração de direitos e protecções sociais e cujas legislações laborais continuam a curar de direitos conquistados pelas classes trabalhadoras.
Por outro lado, a ideia autista de que Portugal deverá apostar na qualidade pois só assim poderá fazer face à “invasão” de artigos asiáticos que ostentam uma qualidade inferior uma vez que o objectivo é a produção massiva, é uma ideia inverosímil. A qualidade, quando muito, será procurada por uma minoria que a pode pagar, enquanto que aqueles que vivem de salários mínimos ou até de rendimentos superiores mas que são absorvidos pela generalidade dos compromissos assumidos [banca, ensino dos filhos, etc.] necessariamente abrirão mão da qualidade a favor da quantidade.
Face a tal quadro, é de perguntar se alguém está à espera que a indústria têxtil portuguesa poderá sobreviver com base nas compras de uma minoria disposta a pagar qualidade? Ou será que iremos, uma vez mais, subsidiar a indústria têxtil para conter o desemprego e evitar o agudizar da crise social? Até quando?

j.marioteixeira@sapo.pt

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Vale a pena [XVII]

O lado negro



... de Saturno, revelado pela Cassini-Huygens, claro.

j.marioteixeira@sapo.pt

Parabéns, campeões!




Não é meu hábito escrever sobre futebol ou sequer sobre o meu Futebol Clube do Porto, mas convenhamos que se justifica depois do que se passou ontem no Japão: o FCP conquistou a segunda Taça Intercontinental.
Haja ao menos quem, lá fora, faz soar o nome do país.

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro VI]



De montante para jusante, mirando da penumbra, descobre-se a Ponte da Arrábida banhada pelo pôr-do-sol.

j.marioteixeira@sapo.pt

Essa coisa da estabilidade

Uma vez mais estamos a adiar Portugal.
Estamos porque as tão apregoadas reformas vão ser novamente adiadas, numa capitalização de meses que completa anos de atraso. É uma das consequências práticas e inevitáveis de uma crise política que começou com a debandada de Durão Barroso para a Comissão Europeia. Prosseguiu por um Governo incompetente e trapalhão. Culminou numa dissolução de um órgão de soberania estável [Assembleia da República] para amarrar as mãos a um Governo instável até às eleições. O mesmo Governo que, reaccionariamente, porque a oportunidade lhe foi dada, contra-atacou, demitindo-se.
A mesma crise que se arrasta até hoje e que só se resolverá, quem sabe, em Fevereiro de 2005. Sim, quem sabe, porque quem pensa que a vitória do PS está garantida é porque ainda não calculou sequer o que representa um debate televisivo entre Santana Lopes e José Sócrates.
Entretanto o resto da Europa, ao contrário de nós, não pára. Progride. Avança. Enquanto ficamos quedos.
Por cá, num país onde não há tumultos [excepto uma linha de comboio ou uma estrada cortadas pelo povo aqui e além que a GNR resolve facilmente], onde não há terrorismo, onde existe paz social, grande parte da nossa classe política enaltece, louva, exalta a estabilidade política. Faz disso uma bandeira, uma condição essencial ao desenvolvimento. Mesmo assim, as políticas sucedem-se ou porque muda o Governo ou porque muda o Ministro. Mas o que importa é que haja estabilidade política.
Curiosamente a Grécia, tal como a Espanha, sofre atentados terroristas e mesmo assim ultrapassou-nos no crescimento económico. Consegue ter políticas de crescimento económico, apesar de rebentarem bombas e de haver ameaças de atentados.
Por cá os nossos atentados são mais constitucionais, as bombas são mais políticas ou mediáticas, as ameaças são mais partidárias ou caciqueiras. Vive-se em terrorismo político e em convulsão legislativa.
Sinto que se confunde estabilidade política com estabilidade de poder…

j.marioteixeira@sapo.pt

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

A lusa celeridade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço positivo dos primeiros 24 meses de governo nesta sexta-feira ao abrir a última reunião ministerial do ano. Segundo ele, a partir de agora é o "tempo de colher o que foi plantado neste período".

[in Correio Braziliense ]

Só ao fim de tanto tempo?!
Nós por cá já estávamos prontos para a safra ao fim de 4 meses!

j.marioteixeira@sapo.pt

A “Abertura de arquivos adiada” no Brasil e o nosso esquecimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na noite desta quinta-feira decreto que altera o tempo de sigilo obrigatório de documentos oficiais de Estado relacionados ao período da ditadura. O novo decreto revoga texto anterior assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, que ampliou o prazo do sigilo desse tipo de documento.

O decreto está sofrendo modificações no departamento jurídico da Casa Civil e o texto corrigido deve ser publicado nesta sexta-feira, no Diário Oficial da União, segundo informou a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto. Com a alteração, os prazos de duração da classificação de sigilo dos documentos ultra-secretos é de no máximo 30 anos. Documentos secretos, máximo de 25 anos; confidencial, máximo de 20 anos e reservado, máximo de 10 anos.

Lula também editou uma Medida Provisória criando um grupo para flexibilizar o sigilo de documentos. A equipe será formada por ministros do governo. Desde outubro, aumentaram as pressões para o governo rever o decreto de FHC. O assunto ganhou novo fôlego, em outubro, com a divulgação de fotos inicialmente reconhecidas como sendo do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto no DOI-Codi – aparelho de repressão da ditadura - em 1975”.

[in Correio Braziliense]

Por cá muita coisa ficou por se fazer acerca dos crimes cometidos pela PIDE. Ficou por criar o tal museu que revelasse, por exemplo, que torturas eram feitas.
Uma de tantas coisas que ficaram por fazer. Aquelas coisas que acabam por cair no esquecimento e que, mais tarde, porque a história já de si é tendencialmente cíclica, acabam por permitir que tudo volte a acontecer novamente. Com outras caras, outros meios, mas volta.
A ainda há quem fale [sem saber] de “caudilhismos”.

j.marioteixeira@sapo.pt

Negócios militares em África do Sul

Um negócio de aquisição de material aeronáutico militar entre a África do Sul e os EUA está a levantar forte polémica, com o líder Rafeek Shah da Aliança Democrática a exigir respostas:

The secret arms deal to acquire between R8-billion- and R14-billion-worth of highly sophisticated military transport aircraft should be suspended until a meeting is held by the parliamentary joint standing committee on defence, says official opposition Democratic Alliance MP Rafeek Shah.
The committee should "address critical questions that surround the deal".
Shah said in a statement on Friday that he has written to the committee chairperson requesting an urgent meeting to discuss the matter
”.

[in
Mail & Guardian Online]

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro V]



Ao longe, por entre a nebelina e a luz desfalecida do sol, a Foz do Douro.

j.marioteixeira@sapo.pt

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Aquela estabilidade de sempre

"O ministro de Estado e das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, negou hoje que tenha sido assinado qualquer contrato para a construção de parte dos novos blindados do Exército nas instalações da Bombardier, ao contrário do que afirmou ontem o ministro da Defesa, Paulo Portas".

[in Público]

Retratos do Providencialismo em Portugal [I]

[…]
Após a Grande Guerra, especialmente, os Govêrnos e o Parlamento ofereceram espectáculos que nos envergonhavam perante o mundo. Portugal perdia a consideração e a confiança das outras nações. E isto podia ser-nos fatal.
Salvou-nos o Exército que não esqueceu, no meio da desorientação geral, que lhe competia defender a Nação dos inimigos não só externos mas também internos.
E, sob a chefia do prestigioso militar GENERAL GOMES DA COSTA, iniciou-se em Braga, no dia 28 de Maio de 1926, um movimento de salvação nacional que foi secundado por todo o País.
Formou-se então um GOVÊRNO MILITAR presidido por Gomes da Costa. Mas o mal tinha fundas raízes e os bons patriotas chegaram a recear o regresso à desordem anterior, pela falta de um estadista com envergadura para fazer reentrar Portugal no trilho da Glória. A Providência, porém, que iluminou Afonso Henriques e Nuno Álvares, não esqueceu a grande nação cristã com oito séculos de existência – e o grande Estadista apareceu: SALAZAR
”.
[…]

[in "Elementos de História de Portugal", de Romeu Pimenta, 1940, Domingos Barreira Editor, preço 3$50]

j.marioteixeira@sapo.pt

Perspectivas [Outono e as margens do Douro IV]



Numa clara ilusão, como em tantas outras da vida, as duas margens unem-se.

j.marioteixeira@sapo.pt

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

Perspectivas [Outono e as margens do Douro III]



Um outro lado bem menos romântico das margens do Douro.

j.marioteixeira@sapo.pt

Florbela Espanca – 8 de Dezembro de 1930



Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca faleceu a 8 de Dezembro de 1930, no dia do seu 36º aniversário.

j.marioteixeira@sapo.pt

Imaculada da Conceição – 1646

D. João IV, nas Cortes de Vila Viçosa em 1646, declara Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Reino de Portugal. Consagrou, assim, uma devoção que já se firmara no povo português.
Em 8 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX, na Bula Papal Ineffabilis, consagra o dogma da Imaculada Conceição segundo o qual foi isenta do pecado original, por se tratar da Virgem Santíssima cujo destino era ser a Mãe de Jesus Cristo. Pelo que a sua festa litúrgica comemora-se a 8 de Dezembro. Dia em que, outrora, se comemorava, também, o Dia da Mãe.

j.marioteixeira@sapo.pt

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Entretanto

"O director-geral adjunto do Serviço de Informação e Segurança, Arménio Ferreira, foi substituído por Saramago Pinto, revelou fonte oficial à Lusa.
A mudança está a ser contestada internamente e vários directores do SIS ameaçaram demitir-se em bloco, alegando tratar-se de uma ingerência do Governo.
Fonte do gabinete do primeiro-ministro afirmou tratar-se de «um pequeno ajustamento perfeitamente normal no quadro do novo modelo aprovado para o Sistema de Informação da República Portuguesa (SIRP).
A substituição foi contestada pelos três partidos da oposição".

Os rapazes não perdem tempo: antes que venha alguém, é hora de arrumar a casa.
Parece algo ligeiro, mas não é. Leia-se o que escreve Vital Moreira no Causa Nossa.

Ping-pong

"Jorge Sampaio informou o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, dos fundamentos da dissolução do Parlamento no encontro que ambos mantiveram a 30 de Novembro, assegurou hoje o chefe da Casa Civil do Presidente da República.
De acordo com João Serra, no encontro de trabalho realizado no dia 30 de Novembro, Jorge Sampaio não se limitou a informar Santana Lopes da decisão de dissolver o Parlamento, tendo-lhe comunicado também os fundamentos da decisão.
"O primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República conhecem os fundamentos da dissolução. Só os portugueses é que ainda não", assegurou o chefe da Casa Civil de Jorge Sampaio
".
[in Lusa]
Do modo como as coisas vão até que é verdade: "Só os portugueses é que ainda não". São os últimos a "saber", coitados...

Os privilegiados

Conclui, assim, Vicente Jorge Silva, no Causa Nossa, acerca de Mário Soares :
[...]
Gosto dele porque ele é único, insubstituível, porque os últimos trinta anos são impensáveis sem ele, com tudo o que ele nos trouxe de melhor e pior, na infinita relatividade humana das coisas e da vida. A minha vida não teria sido a mesma se Soares não tivesse existido. Não poderei dizer o mesmo de nenhum outro português historicamente relevante no tempo em que tenho vivido. E esse sentimento pessoal é porventura comum à esmagadora maioria dos portugueses. Mesmo os que nunca tiveram o privilégio de gostar dele”.

Fiquei a pensar na seguinte frase: “Mesmo os que nunca tiveram o privilégio de gostar dele”.
Realmente, acredito que haja privilegiados pelo facto de gostarem de Mário Soares. Melhor para eles…

j.marioteixeira@sapo.pt

Boas maneiras

Faz parte da nossa cultura dizer bem das pessoas em duas circunstâncias: nos aniversários e no funeral. É típico. Nesses dois momentos vive-se uma espécie de “trégua social”, fala-se bem, diz-se bem e esquece-se o mal.
Do tempo passado fala-se do melhor que a pessoa tinha ou, pelo menos, do menos mau. Os elogios servem para sarar feridas de combates já idos. É uma espécie armistício convencional.
Faz parte das nossas boas maneiras.

j.marioteixeira@sapo.pt

Ainda há aneis [II]


E agora estão mais definidos do que nunca. Graças à Cassini-Huygens, claro.

Perspectivas [Outono e as margens do Douro II]



Em mais uma tarde de dourado outonal.
Pacheco Pereira escreveu o mês passado no Abrupto:

"No Porto a pedra está omnipresente. Há uma solidez absoluta na cidade, que se faz lembrar a todos pela dureza do granito. A cidade não tem cenários. Se quiséssemos dizer, como naquelas descrições estereotipadas, “vemos daqui o cenário da cidade”, como se fossem trapos pintados, ou estuque, ou cartão, ou umas bandeiras ao vento, é porque não é o Porto. Esta cidade dá à força da gravidade o seu verdadeiro nome".